Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

O Natal no tempo dos meus avós

 

Com a colaboração da equipa da BE/ CRE, está patente, na Biblioteca da nossa escola, a exposição O NATAL NO TEMPO DOS MEUS AVÓS, uma iniciativa do Departamento de Língua Portuguesa.
            Os trabalhos (e foram muitos!) apresentam uma qualidade assinalável e constituem um verdadeiro património cultural. Também possibilitaram o encontro entre diferentes gerações, aliando o conhecimento aos afectos.
            O diálogo entre avós e netos que este projecto de trabalho proporcionou, reverteu, enfim, em prol de toda a comunidade educativa.

 

 

 

 

O Natal no tempo dos meus avós
 
            Os meus avós maternos moram longe de Setúbal. Por isso, telefonei-lhes para eles me contarem como costumavam passar o Natal, quando eram novos.
            Eles nasceram e ainda vivem numa pequena aldeia no distrito da Guarda que se chama S. Martinho.
            É uma terra muito fria, onde cai, com frequência, geada e, por vezes, neve.
            Eles disseram-me, então, que, quando eram crianças, o Natal era muito diferente do que é actualmente. Como havia pouco dinheiro, não pediam presentes, nem brinquedos. Também não recebiam a visita do Pai Natal, nem se entretinham com a televisão. Não punham, na mesa, tanta comida como agora.
            Eles passavam o Natal com os pais e irmãos.
            Não havia televisão e, por isso, a noite da consoada era passada à lareira a conversar. Nesse dia, a refeição era um pouco melhorada: comiam canja, bacalhau com couves e batatas, frango caseiro, rabanadas, filhós e arroz-doce. Não havia, nessa altura, a tradição do bolo-rei, mas lembram-se do cheirinho dos biscoitos cozidos no forno da aldeia.
            As pessoas, naquela época, não costumavam enfeitar as casas.
            Os preparativos eram muito poucos, lembram-se apenas de ajudar a fazer o presépio da igreja.
            A árvore de Natal era um pinheiro enfeitado com pedaços de algodão e o presépio era feito com musgo, que iam buscar ao campo. Depois, os mais crescidos punham as figurinhas: o Menino Jesus, Maria, José, o burrinho, a vaquinha e as ovelhas. Ainda não havia luzes para enfeitar. O Menino Jesus, deitado numa cama de palha, era o centro das atenções e do olhar das crianças.
            Os meus avós recordam também o grande fogo que se acendia no adro da igreja, o madeiro, e à volta do qual todos se reuniam para conversar e aquecer.
            As pessoas, especialmente os mais pequenos, costumavam deixar um sapatinho ao pé da lareira para ver se o Menino Jesus lá deixava uma prenda. Ficavam felizes quando encontravam um chocolate ou um par de meias!...
            No dia de Natal, iam à missa e todos beijavam o Menino Jesus.
            Os meus avós têm saudades daqueles Natais, onde, apesar de ser tudo muito simples, havia muita alegria e amizade entre todos.
            Eu adorei escrever sobre este tema, pois, assim, tive mais uma oportunidade de conversar com os meus avós e de ficar a saber um pouco mais sobre a sua vida e as suas memórias.
            Também aprendi que as crianças, naquele tempo, tinham poucas coisas, mas eram felizes, pois cresciam rodeadas de amigos e familiares.
 
Ana Rita, nº 1, 5º 10ª

 

 

 

 

 

 

O Natal no tempo da minha avó
 
            Conversei com a minha avó sobre a maneira como ela passava o Natal, quando tinha a minha idade.
            Fiquei, então, a saber que, há muitos anos, ela viveu em Moçambique e, por isso, tinha uma forma muito peculiar de comemorar o Natal.
            O Natal era sempre passado em família.
            Faziam o presépio (naquela altura, não era hábito fazer a árvore de Natal) e perto dele, em cima das mesas e dos outros móveis, punham muitas velas.
            Naquela altura, deliciavam-se com o bacalhau cozido, o cabrito, as filhós, as rabanadas, os bolos e doces variados.
            À meia-noite, iam à Missa do Galo e abriam as prendas.       A minha avó con-tou-me que só recebia uma prenda (ela e todos os outros).
            O Natal era passado em Moçambique, no mês de mais calor, em Dezem-bro. Assim, as pessoas iam para as varandas e as crianças brincavam nos quintais. 
            Não havia lareiras e, por isso, não era costume pôr as meias e os sapatinhos na chaminé. Em compensação, no dia 25 de Dezembro, iam todos à praia.
 
 
                                    
Filipe Reynaud, 5º 7ª
 

 

 

 

 

O Natal no tempo dos meus avós…
 
            Vou contar como era o Natal em casa dos meus avós maternos, no Alentejo.
            Dois ou três dias antes do Dia de Natal, a avó Conceição e a bisavó Vina juntavam-se para amassar a massa para as filhós. Faziam também pastéis de massa tenra com batata-     -doce ou com grão (a minha mãe diz que preferia os de batata-doce).
Claro que também não faltava o bolo-rei! O avô Joaquim mandava fazer uns enormes e a minha mãe deliciava-se com as suas saborosas fatias.
Havia sempre muito trabalho a fazer, mas era com muita alegria que tudo acontecia.
            Na véspera do tão esperado dia, a minha mãe e os irmãos punham, cada um, o sapatinho debaixo da chaminé, ansiosos por descobrirem o que lhes traria o senhor das barbas brancas. Claro que tudo dependia do comportamento!...
            Ao jantar comiam “bacalhau com todos” e, à meia-noite, alguns familiares iam à Missa do Galo. Quando chegavam a casa, bebiam leitinho quente com chocolate.
            Depois, iam para a cama, “rezando” para que a noite passasse depressa.
            Na manhã seguinte, ainda meios a dormir, lá iam todos ver o que haviam recebido. Não eram muitos os presentes, não. Não como agora… Mas, ainda assim, ficavam contentes!
            O almoço do Dia de Natal, mais uma vez, era celebrado em família com o tão delicioso e suculento peru recheado.
            Actualmente, ainda tentamos cumprir a tradição.
 
Maria Rita da Silva Fernandes, nº 24, 5º 10ª
 
 
 

 

O Natal no tempo dos meus avós
  
            O Natal na casa da minha avó Ester, na região da Beira Baixa, numa vila chamada Penamacor (que pertence ao distrito de Castelo Branco), era passado em família.
            No dia 24 de Dezembro, era hábito irem à mata buscar um pinheiro para decorar com bolinhas e luzes multicores e bocadinhos de algodão em rama a imitar a neve. No exterior da casa, no quintal, faziam o presépio.
            A partir das nove da noite, as mulheres iam para a cozinha tratar da ceia que constava de bacalhau cozido com batatas e couves, filhós feitas de abóbora, sumo de laranja, aguardente, ovos e farinha. Também não faltavam as deliciosas rabanadas.
            Depois, iam à Missa do Galo, que terminava sempre com uma procissão. Entretanto, no adro da igreja queimavam o madeiro, que era levado pelos mancebos que, segundo a tradição, no ano seguinte entravam na vida militar.
            Também cantavam canções ao Menino Jesus (Ó meu menino Jesus… Ó meu menino tão belo… pois nu vieste nascer na noite de Caramelo…).
            Chegavam a casa e seguia-se, então, a Consoada.
            Na manhã seguinte, todos iam à chaminé buscar os presentes, normalmente roupas ou dinheiro.
            O almoço do dia de Natal era constituído por peru assado, cabrito, arroz-doce e frutos secos.
            A minha avó foi, depois, para África e aí também fazia a árvore de Natal e o presépio com as figurinhas de barro e as gambiarras, que eram o delírio da minha mãe e da minha tia (para além das iguarias, que elas também adoravam).
 
 
O presépio feito pela minha avó em África
 
            A minha avó ainda hoje celebra o Natal com doces da Beira Baixa. Faz, ainda, um folar de carnes que dá muito trabalho, pois tem que comprar pão em massa na padaria e depois sová-lo e deixá-lo a levedar cerca de quatro horas.
            Eu adoro os doces de Natal da minha avó, talvez porque também gosto muito dela.
Soraia, 5º 11ª
 

 

 

  

 
O Natal dos meus avós
 
            Todos os meus avós viviam em aldeias da região de Viseu.
                No Natal, o frio era muito e a família reunia-se à lareira e comia bacalhau com couves e batatas, rabanadas e sonhos.
            Os presentes eram simples: meias e outras utilidades.
            Ao serão, os adultos conversavam sobre a família, os que já tinham morrido eram recordados e as crianças cantavam e jogavam aos pinhões que, depois, comiam.
 
                       
Jogar a pinhões com um pião de quatro faces fazia parte da tradição portuguesa da noite de Natal, um jogo milenar que se vai apagando com a chegada da era electrónica.
           
Por vezes, os jovens iam de casa em casa cantar as boas-festas e recolher alguns presentes, principalmente enchidos, para depois comerem em convívio.
           
As cantigas eram mais ou menos assim:
 
As boas-festas viemos dar
A estes senhores se as aceitarem
As boas-festas viemos dar
A estes senhores se as aceitarem
Viva lá a dona Sara
Com o seu menino na mão
Vá lá ao seu fumeiro
Traga de lá o salpicão…..
 
Outra cantiga muito bonita e mais séria era a seguinte:
 
Os anjos nos lares
Em ledos cantares
Anunciam paz
Oh! que dom divino!
E o Deus menino
É quem no-la traz
Honra e Glória a Deus
Que nos deu o bom Jesus
E paz na Terra aos Homens unidos à cruz.
Em Belém à meia-noite
Noite de tanta alegria
Nasceu Jesus no presépio
Filho da Virgem Maria
O menino que nasceu
Da Virgem cheia de Graça
Entrou e saiu por ela
Como o sol pela vidraça.
 
À meia-noite, todas as pessoas iam, muito agasalhadas, à Missa do Galo. Era uma missa muito bonita e, no final, todos os presentes beijavam a figura do Menino Jesus.
Guilherme, 5º 7ª

 

 

 
 
 
publicado por CREeb23bocage às 22:16

link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre nós

.pesquisar

 

.Junho 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. Novo endereço do blogue

. Recital de Poesia 2010

. Concurso de Ortografia 20...

. Recital de Poesia 2010

. Ainda a Semana da Leitura

. Semana da Europa

. Semana da Leitura - Bocag...

. A Semana da Leitura també...

.arquivos

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

.Ligações úteis

.Contacto

becre.eb23bocage@gmail.com

.Visitas

desde 2008/10/02