Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

TRADIÇÕES DE CÁ E DE LÁ…

 

A exposição, que se encontra patente na BE da nossa Escola, resultou do trabalho em colaboração nas disciplinas de Língua Portuguesa e Inglês sobre o Halloween e o Pão por Deus.
Foram tantos, mas tantos os trabalhos, que não conseguimos expor todos.
Os alunos estão, no entanto, de parabéns, pois muitos trabalhos revelam uma grande criatividade e apresentam uma assinalável qualidade, tanto no conteúdo, como no aspecto gráfico.
Para o ano há mais!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na América é Halloween
Nos Açores é Pão por Deus
Paz às almas dos falecidos
Dos nossos, dos meus e dos teus.

Que todos os entes queridos
Estejam no Reino dos Céus,
Que os seres ainda vivos
Tenham bom Pão por Deus.

Alegria dos mais novos
Todos se querem divertir
Vão para as ruas em marcha
De porta em porta a pedir.

Crianças batem às portas,
Pedindo o Pão por Deus,
É bem melhor acudir-lhes
Antes de ouvir ditos seus.
 
Pesquisa realizada por
Francisco, 6º 10ª
Tiago Rendas, 6º 11ª

 

Entrevista
 
 
Esta entrevista tem, como objectivo, dar a conhecer uma das muitas tradições portuguesas: o pão-por-deus.
Entrevistei o meu avô Viriato, que tem 75 anos e que vive, neste momento, em Setúbal. Ele conhece bem esta tradição.
 
Entrevistador – Que memórias tem do pão-por-deus?
Entrevistado – Lembro-me de, em criança, me juntar com outros meninos e meninas e ir, de porta em porta, pedir o pão-por-deus.
 
Entrevistador – Em que dia faziam isso?
Entrevistado – No Dia de Todos os Santos (ou dia dos finados), 1 de Novembro.
 
Entrevistador – Como é que faziam o peditório?
Entrevistado – Dizíamos ou cantávamos versos e as pessoas abriam a porta e davam-nos coisas para comer. Com elas, enchíamos os nossos saquinhos de pano.
 
Entrevistador – E o que é que vos davam?
Entrevistado – Davam-nos pão, broas, bolos, romãs e frutos secos.
 
Entrevistador – Todas as pessoas vos ofereciam coisas?
Entrevistado – Não, nem todas. Algumas, por não terem ou não quererem, não davam nada e, nessa altura, nós dizíamos versos a “rogar pragas” e fugíamos.
 
 
Fábio Alegrias, 6º 7ª

 

 

Pão por Deus
 
Esta tradição está relacionada com o que aconteceu no terramoto do dia 1 de Novembro de 1755, em Lisboa. Nessa altura, os que viram os seus bens destruídos durante a catástrofe tiveram que pedir pão-por-Deus nas localidades que não tinham sofrido prejuízos.

 

 

 

 

Pesquisa realizada por
Inês Gomes, 6º 7ª

 

Pão por Deus
 
O Pão-por-Deus é uma tradição muito antiga, que vem dos tempos em que havia muita pobreza: as pessoas colocavam em cima da mesa tudo o que tinham para comer e beber e convidavam os pobres a alimentarem-se à vontade.          
            As gerações futuras mantiveram a tradição: no Dia de Todos os Santos, dia 1 de Novembro, as crianças saíam à rua em pequenos grupos para pedir o “Pão por Deus”.
            Iam de manhã. Passavam por cada casa da povoação e faziam o peditório, recitando vários versos.
            Quando regressavam a casa, levavam os sacos de pano com romãs, maçãs, doces, bolachas, rebuçados, chocolates, castanhas, nozes e, às vezes, algum dinheiro.
            Nesse dia, as famílias também iam ao cemitério pôr flores nas campas dos  seus  familiares  já falecidos. Ainda hoje há muitas famílias a fazerem isso.
            Em algumas zonas de Portugal, no dia de Todos os Santos, também ainda é costume os padrinhos oferecerem bolos, chamados “Santoros”, aos seus afilhados.
           
Ana Rita, 6º 10ª

 

 

Na terra da minha bisavó Celeste!
            Na terra da minha bisavó, no concelho do Fundão, no Dia de Todos os Santos, dia 1 de Novembro, grupos de três a quatro crianças andavam de porta em porta a pedir pão-por-deus. As pessoas davam-lhes feijões, figos secos, alguns rebuçados e, às vezes, dinheiro (pouco).
As crianças agradeciam dizendo “Obrigada em nome de todos os santos” ou “Esteja com Deus e com todos os santos”.
 
 
 
 
 Cantilenas do Pão por Deus
Pão , pão por deus
à mangarola , 
               encham-me o saco, 
               e vou-me embora.
A quem recusa o pão-por-deus roga-se uma praga:
O gorgulho gorgulhote,
lhe dê no pote, 
               e lhe não deixe,
               farelo nem farelote.
 
Pão por Deus, 
               Fiel de Deus,
               Bolinho no saco, 
               Andai com Deus.
 
     Ou então:
Bolinhos e bolinhós 
               Para mim e para vós
               Para dar aos finados 
               Qu'estão mortos, enterrados
                À porta daquela cruz 

               Truz! Truz! Truz! 
               A senhora que está lá dentro
               Assentada num banquinho 
               Faz favor de s'alevantar
               P´ra vir dar um tostãozinho.

Quando os donos da casa dão alguma coisa:
Esta casa cheira a broa 
               Aqui mora gente boa.
               Esta casa cheira a vinho 
                Aqui mora algum santinho.

Quando os donos da casa não dão nada:
Esta casa cheira a alho 
               Aqui mora um espantalho
               Esta casa cheira a unto 
               Aqui mora algum defunto.
 
 Rita Prates, nº27, 6º 10ª
 
Bolos dos Santos
Beira Baixa
 

 

· 30 gr de  fermento 1 kg de  farinha de trigo
· 100 gr de  banha
· de padeiro
· 6   ovos
· 160 gr de  açúcar
· 35 gr de  erva doce
· 2 colher (chá) de  canela em pó
· q.b. de  sal
· 2 dl de  água
1.Comece por desfazer o fermento de padeiro com 6 colheres de sopa de água morna, retirada dos 2 dl.
2.Coloque a farinha num alguidar abra uma cavidade ao centro e introduza, o fermento desfeito a banha derretida em banho-maria, os ovos, o açúcar, a erva-doce, a canela e uma pitada de sal.
3.Amasse tudo muito bem e vá juntando a restante água morna, logo que bem amassada, tape com um pano e deixe levedar em local aquecido durante uma hora.
4.Passado esse tempo tendem-se bolinhos pequenos e dispõem-se num tabuleiro polvilhado de farinha, voltam-se a tapar com um pano e deixa-se levedar mais 10 minutos.
5.Pincelam-se com ovo batido, salpicam-se com um pouco de açúcar e vão a cozer em forno quente 200 a 250º C, durante mais ou menos 20 minutos.
Nota: Pode substituir a banha, por manteiga ou margarina.
Ao adicionar na massa a restante água, cuidado pois pode não precisar da água toda, vá juntando aos poucos.
publicado por CREeb23bocage às 20:38

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