Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Ainda a Semana da Leitura

Inserida nas actividades que se realizaram nesta Semana, teve lugar, no dia 22 de Abril, uma palestra sobre o poeta Fernando Pessoa, tendo como público –alvo os alunos do 9º ano.

  A Professora Doutora Manuela Parreira da Silva, professora da Universidade Nova de Lisboa e investigadora da obra do poeta, focou a sua apresentação nos aspectos mais “pessoais” e em certas curiosidades que atravessaram a vida deste escritor.

  Como introdução à palestra, quatro alunos da professora Anabela Marques transformaram-se em Pessoa e nos seus três heterónimos mais conhecidos: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis, tendo lido poemas dos mesmos. Foi possível também usufruir de um acompanhamento musical com guitarra, tocada, com muita sensibilidade, por outro aluno da turma.

  O público revelou muito interesse pela actividade e aplaudiu os colegas e professoras que lhes revelaram aspectos da vida e obra deste grande poeta.

 

Profª Graça Ramalho

 

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publicado por CREeb23bocage às 21:41

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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Poemas de amor

 

                             Poema de Amor
 
                                    Enquanto não superarmos
                                    a ânsia do amor sem limites,
                                    não podemos crescer
                                    emocionalmente.

                                    Enquanto não atravessarmos
                                    a dor de nossa própria solidão,
                                    continuaremos
                                    a nos buscar em outras metades.
                                    Para viver a dois, antes, é
                                    necessário ser um.
 
                        Fernando Pessoa
                                Pesquisa realizada por Inês Gomes, 6º 7ª
 Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
 
 
Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!
 
Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:
 
Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!
 
Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.
 
                                                            Soneto de Bocage
 
                                          Pesquisa, 6º 7ª
Amor que morre

 

O nosso amor morreu... Quem o diria?
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos pra partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De que outro amor impossível que há-de vir!
 
                Florbela Espanca
               Pesquisa realizada por Miguel Ramos, 6º 7ª
 
 
Amar
 
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
 
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
 
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
 
E se um dia hei-se ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
 
Florbela Espanca, Charneca em Flor (1930)
 
Pesquisa realizada por Miguel Ramos (6º 7ª) e Inês Morujão (6º 10ª)
 

 

                            Amor que morre
 
 
                                         O nosso amor morreu... Quem o diria?
                                         Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
                                         Ceguinha de te ver, sem ver a conta
                                         Do tempo que passava, que fugia!

                                         Bem estava a sentir que ele morria...
                                         E outro clarão, ao longe, já desponta!
                                         Um engano que morre... e logo aponta
                                         A luz doutra miragem fugidia...

                                         Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
                                        São precisos amores, pra morrer,
                                         E são precisos sonhos pra partir.

                                         E bem sei, meu Amor, que era preciso
                                         Fazer do amor que parte o claro riso
                                        De que outro amor impossível que há-de vir!
 
                                        Florbela Espanca
                                        Pesquisa realizada por Miguel Ramos (6º 7ª)
publicado por CREeb23bocage às 22:34

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Carta de Amor

 

 

 
 Uma das muitas cartas de amor, escritas por Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935), a uma senhora de nome Ophélia Queiroz, no ano de 1920.
Meu amorzinho, meu Bebé querido:

            São cerca de 4 horas da madrugada e acabo, apezar de ter todo o corpo dorido e a pedir repouso, de desistir definitivamente de dormir. Ha trez noites que isto me acontece, mas a noite de hoje, então, foi das mais horriveis que tenho passado em minha vida. Felizmente para ti, amorzinho, não podes imaginar. Não era só a angina, com a obrigação estupida de cuspir de dois em dois minutos, que me tirava o somno. É que, sem ter febre, eu tinha delirio, sentia-me endoidecer, tinha vontade de gritar, de gemer em voz alta, de mil cousas disparatadas. E tudo isto não só por influencia directa do mal estar que vem da doença, mas porque estive todo o dia de hontem arreliado com cousas, que se estão atrazando, relativas á vinda da minha família, e ainda por cima recebi, por intermedio de meu primo, que aqui veio ás 7 1/2, uma serie de noticias desagradaveis, que não vale a pena contar aqui, pois, felizmente, meu amor, te não dizem de modo algum respeito.
Depois, estar doente exactamente numa occasião em que tenho tanta cousa urgente a fazer, tanta cousa que não posso delegar em outras pessoas.
Vês, meu Bébé adorado, qual o estado de espirito em que tenho vivido estes dias, estes dois ultimos dias sobretudo? E não imaginas as saudades doidas, as saudades constantes que de ti tenho tido. Cada vez a tua ausencia, ainda que seja só de um dia para o outro, me abate; quanto mais hão havia eu de sentir o não te ver, meu amor, ha quasi três dias!
Diz-me uma cousa, amorzinho: Porque é que te mostras tão abatida e tão profundamente triste na tua segunda carta - a que mandaste hontem pelo Osorio? Comprehendo que estivesses tambem com saudades; mas tu mostras-te de um nervosismo, de uma tristeza, de um abatimento tães, que me doeu immenso ler a tua cartinha e ver o que soffrias. O que te aconteceu, amôr, além de estarmos separados? Houve qualquer cousa peor que te acontecesse? Porque fallas num tom tão desesperado do meu amor, como que duvidando d'elle, quando não tens para isso razão nenhuma?
Estou inteiramente só - pode dizer-se; pois aqui a gente da casa, que realmente me tem tratado muito bem, é em todo o caso de cerimonia, e só me vem trazer caldo, leite ou qualquer remedio durante o dia; não me faz, nem era de esperar, companhia nenhuma. E então a esta hora da noite parece-me que estou num deserto; estou com sêde e não tenho quem me dê qualquer cousa a tomar; estou meio-doido com o isolamento em que me sinto e nem tenho quem ao menos vele um pouco aqui enquanto eu tentasse dormir.
Estou cheio de frio, vou estender-me na cama para fingir que repouso. Não sei quando te mandarei esta carta ou se acrescentarei ainda mais alguma cousa.
            Ai, meu amor, meu Bébé, minha bonequinha, quem te tivesse aqui! Muitos, muitos, muitos, muitos, muitos beijos do teu, sempre teu

                                                                              Fernando, 19/02/1920
Fac-símile de uma carta de Fernando Pessoa a Ofélia
 
Pesquisa realizada por alunos do 6º ano, turma 7ª
Maria Bethania

 

 

publicado por CREeb23bocage às 22:22

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