Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

S. Martinho

 

Comemorámos o Dia de São Martinho com castanhas assadas, acompanhadas de textos variados, muitos deles do nosso património oral e tradicional. Foi mais um momento de convívio e de boas leituras.
 
 
 
 
 
Lenda de S. Martinho
 

O dia de S. Martinho comemora-se no dia 11 de Novembro.

Conta a lenda que, num dia de tempestade, muito chuvoso e frio, ia um cavaleiro romano montado no seu cavalo a fazer a ronda, quando viu um velho mendigo quase nu, encharcado e cheio de fome.

O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar as pessoas mais pobres. Ao ver aquele homem, ficou cheio de pena dele.

Então, cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada, deu metade ao mendigo e partiu.

Passado algum tempo, como que por milagre, a chuva parou e, no céu, surgiu um lindo Sol a brilhar.

 

 

 

Provérbios do S. Martinho

 

 

No dia de São Martinho, fura o teu pipinho.
No dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho.
No dia de São Martinho come-se a sardinha e bebe-se o vinho.
 
 
No dia de São Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
No dia de São Martinho vai à adega e prova o vinho.
Pelo São Martinho, mata o teu porquinho e semeia o cebolinho.
Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro.
Se queres pasmar teu vizinho lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
 
 
Adivinhas
 
 
Qual a coisa qual é ela?
Tenho camisa e casaco
Sem remendo nem buraco
Estoiro como um foguete
Se alguém no lume me mete.
 
 
Qual a coisa qual é ela?
Se me rio… de mim sai uma donzela
Mais donzela do que eu
Ela vai com quem a leva
Eu fico com quem me deu. (ouriço)
 
 
Qual a coisa qual é ela?
Tem três capas de Inverno
A primeira é lustrosa
A segunda é amargosa
A terceira é deliciosa.
 
 
Qual a coisa qual é ela?
Tem casca bem guardada
Ninguém lhe pode mexer
Sozinha ou acompanhada
Em Novembro nos vem ver.
 
 
Pesquisa realizada por
Soraia Reis, 6º 11ª

 

 

A Maria Castanha
 
 
O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.
Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelaremos meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac,crac – debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.
Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.
Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.
- Como te chamas? – perguntaram-lhe.
- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha .
- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?
- Quero.
Foram brincar ao jogo do apanhar.
A Maria Castanha corria mais do que todos.
- Quem me apanha? Ninguém me apanha!
- Ninguém apanha a Maria Castanha!
Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.
Pimba!
O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.
A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.
- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.
- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.
- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.
E os outros ajudaram também.
Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.
- onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.
- Foram à procura de emprego.
- E tu?
- Vinha à procura de amigos.
- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.
- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.
E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.
Depois, disse:
- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?
- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.
- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.
- Pois vais saber como é bom.
E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!
- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.
- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.
Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.
E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.
- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.
- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?
A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.
É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.
 
Maria Isabel Mendonça Soares, Contos no Jardim

 

publicado por CREeb23bocage às 18:29

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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Poesia de S. Martinho

O Nuno Luís enviou-nos uma poesia sobre o S. Martinho, que aqui publicamos. Esperamos que continue a escrever e a partilhar a sua poesia.

 

 

 

 
São Martinho
 
São Martinho nasceu,
E muito aprendeu,
Que um amigo verdadeiro,
Vale mais do que dinheiro..
 
São Martinho cavaleiro,
Amigo verdadeiro,
Nesse dia se revelou,
E o pobre ajudou…
 
Para São Martinho festejar,
Ponho castanhas a assar,
1, 2, 3, todas a saltar!
 
Nuno Luís
5º7, nº18
9/11/2009

 

publicado por CREeb23bocage às 21:04

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